Pause

por Julian Stella

Pausa

O ferrolho de aço se projeta sobre a oval tampa de madeira. Uma breve e rápida olhadela e algo de medieval poder-se-ia saltar diante dos nossos olhos. O que aquela antiga trava de aço estaria escondendo? Um reluzente tesouro capaz de ofuscar o próprio brilho do sol ou algo impensável como um mistério tão antigo, quanto o próprio tempo. Como um capricho que reflexos e sombras são capazes de fazer  – às vezes confundindo e dando estranhas formas à nossa mente – um enorme símbolo da pausa é sugerido pela sombra. E como uma sinfonia construída de escuridão e madeira, refletida em um intervalo de silêncio, a geométrica circunferência feita de arcos se cala absolutamente em sua estática e estacada pose. E, sorrateiro como uma fria corrente de ar, daquelas que correm através de frestas e janelas abertas, o nosso personagem, o homem atrás da lente observa e registra quase alheio… porém, encantado com o que pode ver mais uma vez através de sua lente. (texto. L. Maldonalle)