Hastes de Simplicidade

por Julian Stella

Hastes de Simplicidade

Duas hastes de enorme simplicidade que se dividem ao meio, sobrepõem-se em um intervalo geometricamente linear, conhecidos como; Cruz. Contra a luz, podemos, talvez cabisbaixos, nos sentir pequenos diante o céu cor de chumbo, que se estende como uma redoma. A cruz parece olhar e exigir como um rei, seu lugar de realeza entre traços, sombras e riscos. O grande monólito da esperança humana. O simples símbolo da fé que atravessou a história da humanidade, o antigo e reles souvenir de madeira que abrigou o Salvador. Por vezes simbolizando a angústia, dor e salvação. Incansável, ela continua de pé. E por mais que o austero e plúmbeo firmamento se projete no alto, sobre sua estrutura, é ela quem parece sorrir para a lente. Enquanto o telhado se ergue à sombra da Cruz, como uma guarda real. Em um único e rápido momento, simples como um piscar de olhos; sombras, efeitos e um céu de granito se misturam. Expondo mais que uma mera questão estética entre o gótico e o fantástico, travestida mesmo que por um breve segundo, pelo sombrio contorno da luz. E em algum momento…podemos nos perguntar: Quem está realmente a observar quem? (L.Maldonalle)