Jardim de folhas brancas

por Julian Stella

Jardim Branco

Incólume, decidido como um grande monólito da resignação, nosso personagem, o fotógrafo, aguarda imóvel como um enorme bloco de basalto. No extenuante sol que chicoteia sua carcaça, espera como os antigos esperavam a hora exata da colheita. No mortificante frio, se agasalha sem deixar de perceber as árvores e o quadro primaveril que brota diante dos seus olhos. Por vezes, caminha sob o abobadado túnel feito de troncos e folhas, que se estendem como um elegante tapete à sua frente. Ali, naquele belíssimo momento, poder-se-ia curvar diante a gigantesca demonstração da natureza, como um súdito da beleza selvagem. Enquanto isso, alguns galhos parecem mover-se ao menor dos ventos, em busca da pose perfeita para o fotógrafoFinos ramos com folhas em suas pontas, que mais parecem longos dedos, ajeitam-se em pleno ar, como se dissessem: ‘’Estamos prontos ‘’. E, neste único momento, onde a natureza parece ganhar vida de forma mágica e simples como o nascer de um novo dia, a mística áurea do primevo e natural santuário, é capturada em um sublime e efêmero momento. Graças à insistência, a paixão e os olhos de nosso herói.  (Texto: L.Maldonalle)