Ternura

por Julian Stella

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Vivo de capturar o melhor momento, o exato instante em que as cores se revelam. Por um breve momento, tudo parece se estacar a minha volta, o ar, o vento, o mundo. Assim, através daquele eterno segundo, retratar o que foi visto pela lente, é a lei. A céu aberto, transformo o brilhante e incandescente dia, que arde além do firmamento, em noite. Faz-se mágica em plena luz do dia, enquanto a futura mãe parece se expor em um quarto escuro mesmo estando sob o ardor do astro-rei. A pele transpira diante a lente, as gotas escorrem pela pele testemunhado pelo grande olho que tudo vê. O grande observador de vidro, capaz de eternizar para sempre o que só ele vê, através da fantástica lente. Utilizo a sub-exposição para que a correta quantidade de luz sensibilize o sensor assim como esperamos que a arte sempre sensibilize o telespectador. Pouco a pouco o quadro vai se formando. Arte, sensualidade e fotometragem se misturam defronte um ângulo não revelado, mesmo em céu e sol a pino. E assim vivo mais um momento, mais um exato instante em que as cores se revelam. Retrato o esplendor da beleza na pose da futura mãe e tudo mais que foi visto através da estática lente. E como foi dito antes, essa é a lei.

(Texto L.Maldonalle)