Monarca de um Reino Imaginário

por Julian Stella

Alheio e estático, é desta forma que ele parece observar a tudo e a todos enquanto a noite o ilumina trazendo consigo os seus temores. Em sua simplicidade e desapego parece abster-se de qualquer pormenor ali presente. Sua altura incomum ou o grande peso que lhe cai, em mesma proporção, parece se agigantar diante os observadores e críticos transeuntes. O meio-fio com a característica margem branca serve como assento. Os pés sujos e cansados se confundem com o asfalto a sua frente. O olhar benevolente envolto em um constrangimento nos inspira a sermos mais humanos. Sentado como um rei em seu trono feito de nada vê as letras se curvarem como súditos à sua frente. E com a pseudo pose real o monarca de um imaginário reino em seu trono ao luar, volta seu olhar para a lente e por um breve e insólito momento parece ser ele quem tudo registra, em sua lente invisível, deixando de ser paisagem para o imenso retrato em preto e branco, defronte à câmera no imperturbável e frio relento.  

(Texto: L. Maldonalle)