Por quem os sinos dobram

por Julian Stella

Ele poderia estar no alto de uma torre, tão alta que parecia poder tocar os céus, ou em uma simples capela de um vilarejo, como símbolo mor de segurança e fé. O cone oco de cor cinza às vezes construídos em bronze ou cerâmica. Um dispositivo de som, um instrumento, eu diria, capaz de ser ouvido em meio ao zumbido da guerra ou em uma noite repleta de raios e relâmpagos. Pode contornar o pescoço de uma vaca em seu minúsculo tamanho como um adereço criado por camponeses, ou pode pesar toneladas em suntuosas igrejas ao redor do mundo. Seu badalo, a lingueta de bronze que dança de um extremo ao outro, ressoa com imensidão ao ser golpeada ecoando alto, chamando a atenção. A cada toque parece vibrar mais alto e assim poderia fazer por horas, jamais se atrevendo a diminuir o ritmo se fosse preciso. Assim como foi fonte de inspiração e deu título ao poema de Ernest Hemingway, ‘’Por quem os sinos dobram”, em um belíssimo tratado sobre o absurdo da guerra, serviu de inspiração para a lente e antes que dançasse sem parar em seu alegre badalar, reivindicando a presença dos fiéis, foi registrado em seu momento estático em total discrição e modéstia à mercê do fotógrafo e sua lente.

(texto: L. Maldonalle)