Gigante de Prata

por Julian Stella

O gigante olho prata paira no ar com seu brilhante ar de decisão. De lá onde está, parece a tudo e todos julgar. O completo negrume em sua volta parece destacar seu brilho quase ímpar. A agitação da cidade grande não permite aos transeuntes lhe dedicar tempo e devida atenção. A mesma dada pelos enamorados ou os poetas enfeitiçados por seu brilho mágico. Em algum vilarejo ou floresta encantada, os uivos e galhos sem folhas causariam espanto ou medo sob o seu imenso refletir e o breve romance inspirador citado a cima se transformaria em um belo conto gótico. O escritor, que às vezes a vê em sua folha em branco com a aparente falta de rumo, e, por onde começar? Pode por vezes receber a mais excitante das palavras lhe remetendo o brilho do luar. Índios a veneraram por anos atribuindo nomes de Deuses em seus rituais de passagem; Iluminou o século dezoito e suas descobertas sem exigir nada em troca; Na velha Inglaterra lúdica, camponeses a temeram assim como as senhoritas que partiram sob o emblemático luar em White Chapel. No sistema solar, Netuno que dá nome á um Deus, vê-se cercado por treze delas, enquanto Júpiter, como um imperador de uma galáxia se glorifica de possuir sessenta e três ao seu redor, onde para cada uma delas algum poeta já se perdeu em versos tentando seduzi-la, eternizando-a em parágrafos. E sob a condição de quase nos sentirmos obrigados, nos perguntamos: Qual fotógrafo não tentou capturá-la em sua lente, como um mito ou elixir engarrafado? Exigindo assim, que brilhassem apenas em suas fotos. Por toda a eternidade.

(texto L. Maldonalle)