Alvorecer

por Julian Stella


Goiás Velho, igreja da boa morte. Um cartão postal pela sua beleza natural e ao clique da máquina, mas que poderia facilmente flertar com o sombrio. Não só pelo nome, mas por suas cores e detalhes que formam sua paisagem noturna. O que torna ainda mais significativa para os fiéis à cruz fincada ao topo do monte. Monte esse, que é detalhado em curvas sinuosas que vão serpenteando até encontrar a cruz. O símbolo humano mais antigo e recorrido nos momentos difíceis, sinal de fé e de tremenda identidade cristã. A cruz também é símbolo de angústia e sofrimento em subculturas. Dela também surge o alivio de afastar o mau agouro, assim como o “mal” propriamente dito. Metaforicamente superestimado em filmes do gênero de terror. A redoma em cores que se formam ao fundo nos lembra um arco íris incompleto. O sol vai dando seu bom dia aparecendo quase por completo atrás dos montes, talvez motivado em ser o protagonista de todo esse dia. A cruz tem as linhas normalmente apresentadas em suas formas horizontal e vertical cruzam em um ângulo de 90 graus. Fazendo da simetria seu carro-chefe. O poste reto que sobressai no terreno em alto relevo tendo o céu azul, apenas como um coadjuvante quase se curva esperando aplausos dos transeuntes que por ali observam sem interferir o nascer do dia. Uma singela vaidade da madeira sagrada e que tem o brilho do astro rei, o sol, sob seus pés. Mesmo que ainda não em sua totalidade. O que podia ser apenas mais um repetitivo amanhecer entre milhares, pode agora através da lente, se transformar em um momento único. Eternizado e revisto sempre que possível com a mágica do momento. Caracterizando e datando as cores além do que o olho nu poderia observar naquele momento. Única e exclusivamente graças a onipresença e teimosia da lente e do fotógrafo.

(Texto L. Maldonalle)