NOTURNA

por Julian Stella


O céu assume uma tonalidade cinza chumbo quase sombria, praticamente se mistura com a opaca cor do chão em uma áurea enevoada como em um sonho. Na tela, destacam-se as cores pretas e brancas como nos filmes mudos. A nobre arte da fotografia chamada pelos profissionais simplesmente de “PB”. Uma alcunha carinhosa por quem vê a vida pela lente em seu olhar macro que a tudo desnuda e aumenta. Os fios, no canto esquerdo superior, rasgam os céus indo de encontro as luzes no fim da trilha, atenciosamente vigiados pelos secos galhos, já sem vida, que atravessam as décadas sempre mudos como velhas lápides cinzentas e apenas observam as duas enormes bolas de luz que espreitam como se fossem dois olhos amarelos e famintos. A estrada que ladeia a paisagem escolhida certamente leva ao incerto em suas curiosas e emblemáticas marcações de auto-estrada prontas para atravessar o blindado nevoeiro que atravessa a madrugada.

(texto L. Maldonalle)