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Blog do Fotógrafo Julian Stella.

Pause

Pausa

O ferrolho de aço se projeta sobre a oval tampa de madeira. Uma breve e rápida olhadela e algo de medieval poder-se-ia saltar diante dos nossos olhos. O que aquela antiga trava de aço estaria escondendo? Um reluzente tesouro capaz de ofuscar o próprio brilho do sol ou algo impensável como um mistério tão antigo, quanto o próprio tempo. Como um capricho que reflexos e sombras são capazes de fazer  – às vezes confundindo e dando estranhas formas à nossa mente – um enorme símbolo da pausa é sugerido pela sombra. E como uma sinfonia construída de escuridão e madeira, refletida em um intervalo de silêncio, a geométrica circunferência feita de arcos se cala absolutamente em sua estática e estacada pose. E, sorrateiro como um uma fria corrente de ar, daquelas que correm através de frestas e janelas abertas, o nosso personagem, o homem atrás da lente observa e registra quase alheio… porém, encantado com o que pode ver mais uma vez através de sua lente. (texto. L. Maldonalle)

Hastes de Simplicidade

Hastes de Simplicidade

Duas hastes de enorme simplicidade que se dividem ao meio, sobrepõem-se em um intervalo geometricamente linear, conhecidos como; Cruz. Contra a luz, podemos, talvez cabisbaixos, nos sentir pequenos diante o céu cor de chumbo, que se estende como uma redoma. A cruz parece olhar e exigir como um rei, seu lugar de realeza entre traços, sombras e riscos. O grande monólito da esperança humana. O simples símbolo da fé que atravessou a história da humanidade, o antigo e reles souvenir de madeira que abrigou o Salvador. Por vezes simbolizando a angústia, dor e salvação. Incansável, ela continua de pé. E por mais que o austero e plúmbeo firmamento se projete no alto, sobre sua estrutura, é ela quem parece sorrir para a lente. Enquanto o telhado se ergue à sombra da Cruz, como uma guarda real. Em um único e rápido momento, simples como um piscar de olhos; sombras, efeitos e um céu de granito se misturam. Expondo mais que uma mera questão estética entre o gótico e o fantástico, travestida mesmo que por um breve segundo, pelo sombrio contorno da luz. E em algum momento…podemos nos perguntar: Quem está realmente a observar quem? (L.Maldonalle)

Jardim de folhas brancas

Jardim Branco

Incólume, decidido como um grande monólito da resignação, nosso personagem, o fotógrafo, aguarda imóvel como um enorme bloco de basalto. No extenuante sol que chicoteia sua carcaça, espera como os antigos esperavam a hora exata da colheita. No mortificante frio, se agasalha sem deixar de perceber as árvores e o quadro primaveril que brota diante dos seus olhos. Por vezes, caminha sob o abobadado túnel feito de troncos e folhas, que se estendem como um elegante tapete à sua frente. Ali, naquele belíssimo momento, poder-se-ia curvar diante a gigantesca demonstração da natureza, como um súdito da beleza selvagem. Enquanto isso, alguns galhos parecem mover-se ao menor dos ventos, em busca da pose perfeita para o fotógrafoFinos ramos com folhas em suas pontas, que mais parecem longos dedos, ajeitam-se em pleno ar, como se dissessem: ‘’Estamos prontos ‘’. E, neste único momento, onde a natureza parece ganhar vida de forma mágica e simples como o nascer de um novo dia, a mística áurea do primevo e natural santuário, é capturada em um sublime e efêmero momento. Graças à insistência, a paixão e os olhos de nosso herói.  (Texto: L.Maldonalle)

Ternura

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Vivo de capturar o melhor momento, o exato instante em que as cores se revelam. Por um breve momento, tudo parece se estacar a minha volta, o ar, o vento, o mundo. Assim, através daquele eterno segundo, retratar o que foi visto pela lente, é a lei. A céu aberto, transformo o brilhante e incandescente dia, que arde além do firmamento, em noite. Faz-se mágica em plena luz do dia, enquanto a futura mãe parece se expor em um quarto escuro mesmo estando sob o ardor do astro-rei. A pele transpira diante a lente, as gotas escorrem pela pele testemunhado pelo grande olho que tudo vê. O grande observador de vidro, capaz de eternizar para sempre o que só ele vê, através da fantástica lente. Utilizo a sub-exposição para que a correta quantidade de luz sensibilize o sensor assim como esperamos que a arte sempre sensibilize o telespectador. Pouco a pouco o quadro vai se formando. Arte, sensualidade e fotometragem se misturam defronte um ângulo não revelado, mesmo em céu e sol a pino. E assim vivo mais um momento, mais um exato instante em que as cores se revelam. Retrato o esplendor da beleza na pose da futura mãe e tudo mais que foi visto através da estática lente. E como foi dito antes, essa é a lei.

(Texto L.Maldonalle)

Quadro da dor.

Enquanto a noite cai e a lua tudo observa com seu brilho prata, Ela pensa em como será o outro dia. No açoite do relento, o frio lhe lembra do que não é cômodo e da insegurança do amanhã. De como somos todos iguais, sob a redoma da noite e o fulgente brilho do luar. O olhar pensativo e a coragem pesam em sua face ao mesmo tempo em que sua prole indefesa recosta-se em seu colo. Aos olhos dos transeuntes podem ser a escória da sociedade ou a simples falta de oportunidade ao cidadão comum. Poderiam ser predadores e não presa se a vida fosse baseada no pêndulo da justiça. A criança, ainda alheia ao futuro ou as necessidades do presente, se acomoda no ventre da mãe levando a mão aos olhos enquanto Morfeu, o Deus grego dos sonhos, parece lhe beijar a face. Renegados como um fruto proibido ou um par de proscritos, mãe e filho atravessam a noite prostrados como em uma postura de súplica e sequer notam a lente a fitá-los. E imóvel, o fotógrafo prende a respiração enquanto eterniza em um clique o cotidiano ali representado em um quadro da dor.

(texto: L. Maldonalle)

Santuário dos romeiros

Através de uma via expressa em seus 18 quilômetros de distância, romeiros vão em sua direção. Atraídos pela fé e a religiosidade como a um imã. Os postes altos em forma de castiçais iluminam a fachada dando as boas vindas aos fiéis, que aos milhões caminham e se curvam em devoção. O lugar sagrado que serve humildemente a humanidade Projetando graça e proteção. A outrora capela construída com folhas de buriti hoje ostenta uma hercúlea construção em concreto. O santuário destinado a promessas, curas e o mais sincero alento aos romeiros. Trindade, a cidade que abrigou o artefato feito em barro em forma de medalha. Esta, considerada miraculosa, atraindo os devotos de todos os cantos do país. E aqui, bem no meio da região Centro-Oeste, a câmera paira auspiciosa em face da basílica. E como sinal de reverência, capta a imagem pura e simples, como a alma de um anjo.

(Texto: L. Maldonalle)

Monarca de um Reino Imaginário

Alheio e estático, é desta forma que ele parece observar a tudo e a todos enquanto a noite o ilumina trazendo consigo os seus temores. Em sua simplicidade e desapego parece abster-se de qualquer pormenor ali presente. Sua altura incomum ou o grande peso que lhe cai, em mesma proporção, parece se agigantar diante os observadores e críticos transeuntes. O meio-fio com a característica margem branca serve como assento. Os pés sujos e cansados se confundem com o asfalto a sua frente. O olhar benevolente envolto em um constrangimento nos inspira a sermos mais humanos. Sentado como um rei em seu trono feito de nada vê as letras se curvarem como súditos à sua frente. E com a pseudo pose real o monarca de um imaginário reino em seu trono ao luar, volta seu olhar para a lente e por um breve e insólito momento parece ser ele quem tudo registra, em sua lente invisível, deixando de ser paisagem para o imenso retrato em preto e branco, defronte à câmera no imperturbável e frio relento.  

(Texto: L. Maldonalle)

Por quem os sinos dobram

Ele poderia estar no alto de uma torre, tão alta que parecia poder tocar os céus, ou em uma simples capela de um vilarejo, como símbolo mor de segurança e fé. O cone oco de cor cinza às vezes construídos em bronze ou cerâmica. Um dispositivo de som, um instrumento, eu diria, capaz de ser ouvido em meio ao zumbido da guerra ou em uma noite repleta de raios e relâmpagos. Pode contornar o pescoço de uma vaca em seu minúsculo tamanho como um adereço criado por camponeses, ou pode pesar toneladas em suntuosas igrejas ao redor do mundo. Seu badalo, a lingueta de bronze que dança de um extremo ao outro, ressoa com imensidão ao ser golpeada ecoando alto, chamando a atenção. A cada toque parece vibrar mais alto e assim poderia fazer por horas, jamais se atrevendo a diminuir o ritmo se fosse preciso. Assim como foi fonte de inspiração e deu título ao poema de Ernest Hemingway, ‘’Por quem os sinos dobram”, em um belíssimo tratado sobre o absurdo da guerra, serviu de inspiração para a lente e antes que dançasse sem parar em seu alegre badalar, reivindicando a presença dos fiéis, foi registrado em seu momento estático em total discrição e modéstia à mercê do fotógrafo e sua lente.

(texto: L. Maldonalle)

Intempéries

As ruínas ao fundo em suas rachaduras e frestas nos remete à algo abandonado, talvez, deixado para trás. O chão sujo e a luz conflitante não nos entrega por inteiro, o lugar. Olhando de perto percebemos a silhueta quase humanoide que se junta às ruínas ao fundo. As mãos à cabeça denotam uma impaciência e algum transtorno. Talvez solidão ou simplesmente a incapacidade de ser o ponto de cor que traria vida ao contexto, acinzentado como um grande céu em dia nublado. Mesmo assim o vil contorno humano permanece intacto como uma estátua de granito a céu aberto em um vivo cinza plúmbeo a mercê das intempéries do tempo. A parede, ou o que resta dela, tem seu trecho branco manchado de espaçados cortes escuros e abertas frestas que podem levar para longe dali ou até mesmo servir de um mero quadro, um momento estético, enquanto a sua outra metade clama por atenção descendo logo atrás de nosso imóvel personagem, como se fossem lágrimas, até tocarem o desfigurado chão. Enquanto isso a lente permanece alheia a tudo, fazendo o seu insensível e artístico papel de observador. Olhando… olhando! E de algum lugar, como se à tudo olhasse dos céus tal qual um grande Deus de antigas fábulas, a lente comandada pelo fotografo vê o que mais ninguém tinha visto até então. Não as ruínas ou a dor de nossa figura central ou os destroços que o cercam em um lugar que por outros não seria escolhido como cenário, mas sim a beleza, a antiga arte colocada à toda prova, em um filme preto e branco registrando para sempre o nosso estático protagonista.

(texto L. Maldonalle)

Skateboard Street

Inicio agora a postar fotografias que tirei usando negativos, como esta acima. Esta foto, fiz num momento de descanso, durante  um ensaio para uma grife de roupas que patrocinava esportistas. Usamos a cidade de Brasilia como palco para as fotos e foi muito produtivo. Nessa foto usei o filme Kodak Tri-x  400 e uma Pentax MZM, objetiva 35-80mm com uma olho de peixe de cinegrafia acoplada na frente. Usei fita adesiva para fixar a olho de peixe à minha objetiva. Fotografia tem muito disso: A improvisacao. A melhor parte é quando nos surpreendemos com o resultado. O efeito panning deu vida a essa fotografia. Optei por nao usar um flash para conseguir a silhueta do skatista e realcar a cidade ao fundo. Alguns espectadores que assistiam ao salto se tornaram fantasmas na foto.

(Julian Stella)

Start now to post pictures I took using negative as the one above.
This photo, made ​​at a time of rest, during a rehearsal for a clothing brand that sponsored athletes.
We use the city of Brasilia as a showcase for the photos and was very productive. In this photo I used the Kodak Tri-x 400 and a Pentax MZM, 35-80mm lens with a fish-eye for cinematography coupled in front. I used tape to attach the fisheye lens to my. Photography has a lot of this: The improvisation. The best part is when we were surprised with the result. The panning effect gave life to this photograph. I chose to not use a flash to get the silhouette of the skater and enhance the city in the background. Some viewers who watched the jump became ghosts in the picture.

(Julian Stella)

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